sexta-feira, 7 de março de 2014

COISA DE MÃE...

"Ele é o nó no meu cabelo. O esmalte descascado na minha unha, as olheiras no meu rosto. Ele é o brinquedo na gaveta de roupas, o amassado nas páginas do meu livro, o rasgado no meu caderno de anotações. Ele é o melado no controle remoto, o canal de televisão, o filme no DVD. Ele é o farelo no sofá, As tesouras no alto. Ele é o backup no computador, o mouse escondido, as cadeiras longe da janela. Ele é a marca de mão nos móveis, o embaçado nos vidros, o desfiado nos tecidos. Ele é o ventilador desligado, a porta do banheiro fechada, a gaveta da cômoda aberta. Ele é o coque na minha cabeça, o amarrotado nas roupas, as frutas fora da fruteira, as fraudas amarrando as portas do guarda-roupa da vovó Ele é o meu shampoo cheio de água, a espuma no chão do banheiro, o brinquedo dentro da privada. Ele é o interruptor nas tomadas. Ele é o peixe no aquário, a árvore de natal, os "pisca-pisca" de todas as casas. Ele é o círculo, o susto.... A primeira visão da lua no começo da noite.... O valor do trabalho, a vontade de aprender, a minha força, a minha fraqueza, a minha riqueza. Ele é o aperto no meu peito diante de uma escada, a ausência de sono diante de uma febre. Ele é o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade. O cheirinho no meu travesseiro, o barulho, a metade, o azul. Ele é o vazio triste no silêncio de dormir, o meu sono leve durante a noite. Ele é o meu ouvido aguçado enquanto durmo. A minha pressa de levantar da cama, a minha espera de bom dia. Ele é o arrepio quando me chama, a paz quando me abraça, a emoção quando me olha. Ele é meu cuidado, a minha fé, o meu interesse pela vida, a minha admiração pelas crianças, o meu respeito pelas pessoas, o meu amor por Deus. É o meu ontem, o meu hoje, o meu amanhã. Ele é a vontade, a inspiração, a poesia. A lição, o dever. Ele é a presença, a surpresa a esperança. A minha dedicação. A minha oração. A minha gratidão. O meu amor mais puro e bonito. A minha vida!" Ele é o meu NICOLAS VINICIUS. TE AMO FILHO!

quinta-feira, 6 de março de 2014

MENSAGEM BEBÊ/MAMÃE

Querida mamãe, Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim. Coloquei a boca no trombone e você veio. Ainda bem! Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo, mas não tente negar: você estava com pressa para ir dormir outra vez. Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda. Estava tudo tão calmo, um silêncio, nós dois juntinhos. Estava legal e eu perdi o sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar e resolveu me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais dez minutos, meia hora. Mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa e até chamou o papai. Eu não queria o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final das contas acordei a casa inteira cinco vezes. De manhã nossa família estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo. Imagina, você chegou a dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer mais ficar comigo. Os adultos tem hora certa para tudo mas eu ainda não entendi essas de relógio e tarefas estafantes que as pessoas grandes precisam fazer. Quando meu corpo está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus três meses ainda não descobri direito que você é uma pessoa e eu sou outra. Um dia, eu vou sair por aí, vou saber telefonar e posso lhe deixar doida para saber o que ando fazendo e então você vai entender como me sinto agora. Mas não precisamos dessa guerra mamãe. Até lá já poderemos nos entender inclusive através das palavras. Sinto a angústia da separação, pois terminei de viver uma das grandes. Você também, mas vive tudo isso como adulta consciente. Eu ainda vivo no inconsciente. Por enquanto nossa comunicação direta fica restrita aos nossos sentimentos inconscientes. Eu não sei nada, tudo é novo para mim. Você pode até achar que não sabe nada e que tudo é novo para você, mas eu vou aprender o que você me ensinar através da sua sensibilidade, dos seus sentimentos em relação a mim. Sabe, mamãe, se você quer um conselho, vou dar: quando eu chorar à noite, não salta logo para meu berço desesperada, como se o mundo fosse acabar. Espere um pouquinho, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja o seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu mamar. Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência, pois nós, bebês, somos muito sensíveis aos sentimentos dos adultos, especialmente os da mamãe. Se eu sentir que você está com pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar até o meu segundo suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e pernas bem molenguinhas, aí sim pode me colocar de volta no berço que eu não acordo antes de sentir fome outra vez. Conforme você for desenvolvendo sua paciência mamãe, eu estarei desenvolvendo minha tranqüilidade e nós não teremos mais noites infernais; apenas noites de mamãe/bebê, que um dia passam, como tudo na vida. Sempre sua, Gu-gu dá-dá!